A Crise do Cacau e a Política

  Dímpino da Purificação Carvalho – Cacauicultor

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  Os produtores de cacau, mais conhecidos como fazendeiros, em sua maioria não gosta ou diz não gostar de política. Há até os que afirmam, de forma categórica, abominá-la. Um ministro do Supremo Tribunal Federal-STF não faz muito tempo disse: “a política, em regimes democráticos, é gênero de primeira necessidade”. Num passado mais distante, Ruy Barbosa foi mais enfático, mais duro ou mais preciso, ao dizer: “que, de tanto ver triunfar as nulidades, de ver crescer o poder nos maus, o homem chega a temer justiça e ter vergonha de ser honesto”.

  Tanto na região do cacau, como no Brasil como um todo, os partidos políticos sentem a ausência do que se chama de “homens de bem”. Os homens de bem na zona do cacau, na sua maioria, estão fora da política e é nela o espaço, o lugar, o terreno próprio, seja qual for o nome ou termo onde se define o destino de um povo. É onde se discute se debate os pequenos e os grandes problemas que envolvem uma sociedade organizada. È nesse espaço que estão os caminhos e as soluções para a já caduca Crise do Cacau.

  Esperar tanto tempo para ele alcançar os dois mil dólares que agora alcançou no mercado internacional e aguardar caminhar com passos largos e rápidos em busca dos três mil e os produtores permanecerem na rede, no sofá, no tamborete na porta do boteco ou o mais comum, com o facão na cintura, o podão nas mãos, na chuva ou no sol com os pés no chão ou no botão contribuindo, com sua ausência na política, deixar o “poder nas mãos dos maus” afirmando não gostar de política, a crise do cacau estará cada vem mais longe de encontrar o caminho ou os caminhos das soluções.

  Quando falam que o problema está no custo da mão de obra escassa e alta e no preço baixo do cacau, estão fazendo, inconscientemente, o jogo do político que tem consciência de que o preço é definido pela lei da oferta e da procura no mercado internacional e o da mão de obra na preferência individual do homem de optar carregar balde de concreto escorrendo calda de cimento nas costas, na construção civil na cidade a pegar no cabo do podão debaixo de chuva ou o panacum com cacau mole pingando mel nas costas nuas. Essa opção é um direito universal do homem nos países democráticos e livres como o Brasil e em ambos os casos a escolha é livre e individual não sendo de competência do político.

  Quando o fazendeiro tomar consciência de que o problema está é na forma de produzir, que precisa dispor de mil e cem plantas ou mais por hectare produzindo em média mais de sessenta frutos por pé, ele vai perceber que a solução está é no político, definindo, impondo e cobrando do governo uma política pública séria que valorize o homem do campo e seja voltada para a modernização da agricultura, oferecendo-lhes recursos técnicos e financeiros com custo e prazos compatíveis com o investimento para que ele seja economicamente viável aí teremos o fim da caduca crise do cacau.

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