Farinha pouca, meu pirão primeiro!

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   Mariana Benedito – Psicanalista em formação; MBA Executivo em Negócios; Pós-Graduada em Administração Mercadológica; Consultora de Projetos da AM3–Consultoria e Assessoria. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

   Egoísmo nada mais é do que a atitude de colocar interesses, opiniões, desejos, necessidades pessoais em primeiro lugar em detrimento e a despeito das demais pessoas com que se relaciona e convive; é querer tudo para si sem pensar no desconforto e no mal-estar que se pode causar ao outro. O egoísta é aquele que necessita receber mais do que tem capacidade para dar e, segundo o renomadíssimo psiquiatra e psicoterapeuta paulista Flávio Gikovate, o egoísmo deriva da imaturidade emocional caracterizada pelo não desenvolvimento do sentimento de individualidade. Trocando em miúdos: o egoísta precisa do convívio social, da vida em grupo, mantendo uma postura extrovertida, carismática, simpática; não porque goste de estar com as pessoas, mas sim porque precisa delas para extrair os benefícios e aquilo de que necessita.

   Mas, observando esta mesma construção social, percebe-se que o egoísmo é – muitas vezes – um instinto de sobrevivência. O ser humano nasce com a natureza animal de sobrevivência e vai adquirindo o senso de humanidade com base na convivência e influência do meio ao longo de sua construção psicológica, moral e educacional. No início da vida, o que o indivíduo busca é aniquilar seu medo de sucumbir, de morrer; por isso um bebê quando nasce, se agarra ao seio da mãe – às vezes machucando-o – pela simples necessidade de sobreviver; até mesmo porque ainda não possui o entendimento e noção do outro. E é justamente aí que reside o limiar do egoísmo, quando se compreende a existência do outro.

   Defender pontos de vista, desejos, interesses, o que é bom para si não significa anular, subjugar, prejudicar o outro. Vivemos em sociedade e fazemos os mais diversos tipos de “contratos sociais”: amizade, trabalho, família, relacionamento afetivo. São duas partes que estabelecem seus limites, entendimentos, concessões que precisam ser respeitados e valorizados. Entender o espaço do outro. Pensar em seu bem-estar, saúde física, emocional e psíquica é extremamente fundamental para viver de forma estável e equilibrada; só que isso não tem nada a ver com prejudicar quem convive conosco. Seja o prejuízo de qualquer ordem ou natureza.

   Farinha pouca, meu pirão primeiro! Precisa mesmo ser assim?

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